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O que é o rating da dívida e para que serve?

 

A qualidade da dívida de um país e a capacidade de um Estado cumprir os compromissos assumidos com os seus credores são avaliadas através de uma notação financeira, ou rating. Esta notação corresponde a uma classificação de risco de crédito, atribuída por entidades especializadas designadas por “agências de rating.”

Estas agências são empresas privadas independentes que avaliam o risco de incumprimento associado a um emitente de dívida, seja um Estado ou uma empresa, bem como ao próprio instrumento financeiro emitido.

Cada agência de rating tem a sua própria escala de classificação, organizada em níveis graduais de risco de crédito, e que vão desde a dívida de elevada qualidade e baixo risco (grau de investimento) até àquela considerada altamente especulativa. Essa normalização facilita a comparação entre emitentes, permitindo aos investidores identificar, de forma rápida, o risco relativo de cada um.

Quando a classificação se encontra em níveis mais baixos, os instrumentos financeiros associados a esses emitentes são considerados investimentos especulativos, ou - como se diz vulgarmente – “lixo”. Esta designação geralmente indica que a probabilidade de incumprimento (por exemplo, o não reembolso de uma obrigação) é significativa, o que se reflete em custos de financiamento mais elevados.

A notação atribuída (rating) é expressa através de letras do abecedário para definirem uma classificação e sinais matemáticos ou números para modificadores dentro de cada classificação (por exemplo, se está mais próximo da subida (1 ou +), da descida (3 ou -) ou a meio (2 ou sem sinal). É comum encontrar no topo da tabela da notação financeira a classificação AAA (investimento de elevada qualidade) e na base a nota C ou D (elevado risco de incumprimento).

Além da notação, as agências emitem também um outlook, ou perspetiva, que sinaliza a provável evolução futura do rating.  Esse outlook pode ser positivo, estável ou negativo, consoante os analistas antecipem uma melhoria, manutenção ou deterioração da notação.

 

Quantas agências de rating avaliam Portugal?

Há várias agências de rating que avaliam Portugal, mas apenas um grupo de cinco agências são reconhecidas pelo Banco Central Europeu (BCE) para efeitos de compra de dívida pública: S&P Global Ratings, Moody’s, Fitch, DBRS Morningstar e Scope Ratings.

Por exemplo, em 2025, todas as agências classificaram a dívida portuguesa dentro do grau de investimento, no patamar do A, refletindo uma perceção favorável sobre a solidez económica e financeira do país.

Mas nem sempre foi assim. Durante a crise das dívidas soberanas, em julho de 2011, Portugal recebeu a sua primeira classificação dentro do limiar do investimento especulativo, quando a agência Moody’s cortou o “rating” de Baa1 para Ba2. Meses depois, tanto a S&P Global Ratings como a Fitch também baixaram a sua notação para Portugal para um nível especulativo.

 

Que critérios são utilizados para definir o “rating” dos países?

As metodologias das agências de rating diferem entre si, mas assentam num conjunto de critérios económicos, financeiros e institucionais. Entre os indicadores habitualmente considerados incluem-se, por exemplo:

  • O crescimento do PIB;
  • O rácio e trajetória da dívida pública;
  • A balança de pagamentos e a liquidez externa;
  • A estabilidade política e institucional;
  • A política orçamental e cambial;
  • A capacidade de resposta a choques económicos ou financeiros.

As revisões de rating são, regra geral, efetuadas três vezes por ano, e são acompanhadas por uma nota explicativa (rating report) que justifica a avaliação e detalha os fatores que poderão conduzir a futuras alterações.

 

Qual o impacto do rating?

Tal como para um aluno ter nota máxima numa disciplina, significa ter maior probabilidade de sucesso, um rating mais elevado significa que aquela empresa ou país tem maior capacidade de reembolsar os seus investidores, o que pode tornar a sua dívida mais atrativa, tendencialmente com menos custos e riscos para quem nela pretende investir.

Por outro lado, ao apresentar uma classificação mais baixa, um país terá maior dificuldade em financiar-se, sobretudo junto de investidores externos, que poderão acabar por optar por emitentes cuja avaliação dá conta de uma menor probabilidade de incumprimento.

Isto significa que, por exemplo, reduzir a dívida, aumentar a produtividade e competitividade ou garantir a estabilidade política, além de poder beneficiar a sociedade, potenciando o crescimento económico, ajudará o país a melhorar a sua capacidade de negociação junto dos investidores, sobretudo externos.

 

Tabela de Rating das principais Agências